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CATERINE VASCONCELOS DE CASTRO
Argemiro Procópio destaca inúmeros casos
de apropriação dos conhecimentos tradicionais dos povos
amazônicos pelo “bionegócio”, que segundo ele representa o
novo campo para exportações bilionárias
18
:
Remédios vendidos nas prateleiras das
farmácias do mundo inteiro trazem riquezas
para transnacionais, graças ao conhecimento
tradicional e causam impiedosa descrição em
seu processo de cata ou colheita. Vale citar,
a título de exemplo, o jaborandi,
Pilocarpus
jaborandi,,
usado no tratamento de glaucoma;
a espinheira santa,
Maytenus ilicifol,
a contra
distúrbios estomacais; o látex antiviral da
corticeira,
Erythrina crista-galli; o veneno
da
Bothops jararaca, transformado em anti-
hipertensivos; o poderoso analgésico presente
na pele do sapo
Epipadobates tricolor.
Esses
e centenas de outros frutos da biopirataria
enriquecem mais ainda multinacionais e
grandes laboratórios como o Abbot, Bristol-
Meyers squibb, Eli Lilly, Nippon Mektron,
Shapman Pharmaceuticals, Monsanto, Merck
etc.
Percebe-se, pois, que no contexto da
globalização e da economia de mercado, a usurpação do
conhecimento indígena é legalizada pelo direito de propriedade
intelectual cujo modelo caracteriza a forma como a nova fase
do capitalismo se organiza.
a reconstrução do mundo. Tradução e revisão técnica de Arão Sampaio.
São Paulo: Makron Books, 1999.p. 5.
18 PROCÓPIO, Argemiro. O multilateralismo Amazônico e as fronteiras
de segurança. In:_______.
Relações internacionais
: os excluídos da
Arca de Noé. São Paulo: Hucitec, 2005, p.108-109.




